segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

DNA individual tem mais dados que todos os HDs

11/02/2011 - 14h26
GIULIANA MIRANDA e RICARDO MIOTO DE SÃO PAULO
LUIZ GUSTAVO CRISTINO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A morte do vinil e o surgimento dos HDs pessoais multiplicaram a quantidade de informação gravada no mundo, mas tudo que já foi produzido pela humanidade ainda apanha feio de uma única célula humana.
Bem feio: há cerca de cem vezes mais informação codificada no DNA humano do que em todos os livros, CDs, computadores, negativos de fotos e todo tipo de lugar onde se armazenam dados, digitais ou analógicos.
Isso não significa que não exista muita coisa arquivada por aí. Em números absolutos, podíamos armazenar, em 2007, ano analisado agora pelos cientistas, 295 exabytes. Isso equivale a cerca de 295 bilhões de gigabytes (um HD doméstico tem uns 300 gigabytes).
É o suficiente para encher 404 bilhões de CDs comuns que, empilhados, cobririam um pouco mais do que a distância da Terra à Lua.
Os números são de uma pesquisa americana, publicada na revista "Science", que analisou os dados produzidos e armazenados pela humanidade entre 1986 e 2007. Ela mostra que os meios analógicos dominaram a lista até 2002, quando foram superados pelos digitais. Em 2007, essa já era a forma de armazenamento de 97% da informação.
Os dados guardados em papel, que, em 1986 já representavam apenas 0,33% do total, em 2007 passaram a representar 0,007% --qualquer vídeo de dez minutos no YouTube tem mais informação ("é mais pesado", como se diz na internet) do que uma enciclopédia inteira.
"É o primeiro trabalho a quantificar como os seres humanos lidam com a informação", diz Martin Hilbert, da Universidade da Carolina do Sul, que liderou o estudo.
P. Leia a íntegra da reportagem na edição impressa da Folha desta sexta-feira (11 de fevereiro)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Código de Ética do Indios Americanos

Shuh-shee-ahsh (Curley)

Levante com o Sol para orar. Ore sozinho. Ore com freqüência. O Grande Espírito o escutará, se você só falar. ~ Seja tolerante com aqueles que estão perdidos no caminho. A ignorância, o convencimento, a raiva, o ciúme e a avareza, originam de uma alma perdida. Ore para que eles  encontrem orientação. ~ Busque-se, por si mesmo. Não permita que outros façam o seu caminho para você. É a sua estrada, e somente sua. Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você. ~ Trate os convidados em seu lar com muita consideração. Sirva-os da melhor comida, de-lhes a melhor cama e trate-os com respeito e honra. ~ Não tome aquilo que não é seu, seja a posse de uma pessoa, da comunidade, da natureza ou de uma cultura. Não foi algo ganho nem foi doado. Não é seu. ~ Respeite todas as coisas que foram colocadas sobre Terra - sejam pessoas ou plantas. ~ Honre os pensamentos, desejos e palavras das pessoas. Nunca interrompa os outros nem os ridicularize, nem rudemente os imite. Permita a cada pessoa o direito da expressão pessoal. ~ Nunca fale dos outros de uma maneira ruim. A energia negativa  que você colocar para fora no universo se multiplicará quando ela retornar para você. ~ Todas as pessoas cometem erros. E todos os erros podem ser perdoados. ~ Pensamentos maus causam doenças da mente, corpo e espírito. Pratique o otimismo. ~ A natureza não é PARA nós, ela é uma PARTE de nós. Ela faz parte da vossa família Terrena. ~ As crianças são as sementes do nosso futuro. Plante amor nos seus corações e regue com sabedoria e lições da vida. Quando eles forem crescidos, dê-lhes espaço para crescer. ~ Evite machucar os corações das pessoas. O veneno da dor causada a outros retornará a você. ~ Seja verdadeiro em todos os momentos. Honestidade é o teste da vontade de cada um dentro deste universo. ~ Mantenha-se equilibrado. Seu eu Mental, eu Espiritual
eu Emocional e eu Físico  - todos precisam ser fortes, puros e saudáveis. Exercite  o corpo para fortalecer a mente. Enriqueça em 
espírito para curar males emocionais. ~ Tome decisões conscientes de quemvocê será e como vai reagir. Seja responsável por suas próprias ações. ~ Respeite a privacidade eo espaço pessoal dos outros. Não toque as propriedades pessoais de outros - especialmente objetos sagrados e religiosos.
Isso é proibido. ~ Seja verdadeiro consigo mesmo. Você não pode nutrir e ajudar os outros se você não pode nutrir e ajudar a si mesmo em primeiro lugar. ~ Respeite outras crenças religiosas. Não force suas crenças sobre os outros. ~ Compartilhe sua boa fortuna com os outros. Participe com caridade.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Nature's Pharmacy is Amazing!

 (This article has been across the Internet a dozen times, but it is worth repeating.) from http://www.manataka.org/page1429.html

It's been said that God first separated the salt water from the fresh, made dry land, planted a garden, made animals and fish... all before making a human. Nature made and provided what we'd need before we were born. These foods are best and more powerful when eaten raw.  A great clue as to what foods help what part of our body are found in the vegetables themselves.
 
 
A sliced Carrot looks like the human eye. The pupil, iris and radiating lines look just like the human eye... and YES, science now shows carrots greatly enhance blood flow to and function of the eyes.
Tomato has four chambers and is red. The heart has four chambers and is red. All of the research shows tomatoes are loaded with lycopine and are indeed pure heart and blood food.
Grapes hang in a cluster that has the shape of the heart. Each grape looks like a blood cell and all of the research today shows grapes are also profound heart and blood vitalizing food.
Walnut looks like a little brain, a left and right hemisphere, upper cerebrums and lower cerebellums.  Even the wrinkles or folds on the nut are just like the neo-cortex. We now know walnuts help develop more than three (3) dozen neuron-transmitters for brain function.
Kidney Beans actually heal and help maintain kidney function and yes, they look exactly like the human kidneys.
Celery, Bok Choy, Rhubarb and many more look just like bones. These foods specifically target bone strength. Bones are 23% sodium and these foods are 23% calcium. If you don't have enough calcium in your diet, the body pulls it from the bones, thus making them weak. These foods replenish the skeletal needs of the body.
Avocadoes, Eggplant and Pears target the health and function of the womb and cervix of the female - they look just like these organs. Today's research shows that when a woman eats one avocado a week, it balances hormones, sheds unwanted birth weight, and prevents cervical cancers. And how profound is this?  It takes exactly nine (9) months to grow an avocado from blossom to ripened fruit. There are over 14,000 photolytic chemical constituents of nutrition in each one of these foods (mo dern science has only studied and named about 141 of them).
Figs are full of seeds and hang in twos when they grow. Figs increase the mobility of male sperm and increase the numbers of Sperm as well to overcome male sterility. 
Sweet Potatoes look like the pancreas and actually balance the glycemic index of diabetics.
Olives assist the health and function of the ovaries
Oranges, Grapefruits, and other Citrus fruits look just like the mammary glands of the female and actually assist the health of the breasts and the movement of lymph in and out of the breasts.
Onions look like the body's cells. Research shows onions clear waste materials from all of the body cells. They even produce tears which wash the epithelial layers of the eyes. Garlic also helps eliminate waste materials and dangerous free radicals from the body.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

The illustrated guide to a Ph.D.

Every fall, I explain to a fresh batch of Ph.D. students what a Ph.D. is.
It's hard to describe it in words.
So, I use pictures.
Read below for the illustrated guide to a Ph.D.

Imagine a circle that contains all of human knowledge:

By the time you finish elementary school, you know a little:

By the time you finish high school, you know a bit more:

With a bachelor's degree, you gain a specialty:

A master's degree deepens that specialty:

Reading research papers takes you to the edge of human knowledge:

Once you're at the boundary, you focus:

You push at the boundary for a few years:

Until one day, the boundary gives way:

And, that dent you've made is called a Ph.D.:

Of course, the world looks different to you now:

So, don't forget the bigger picture:
Keep pushing.

Fonte: http://matt.might.net/articles/phd-school-in-pictures/

terça-feira, 2 de março de 2010

Which One Would You Choose?





















One day an old Native American grandfather was talking to his grandson. He said, "There are two wolves fighting inside all of us - the wolf of fear and hate, and the wolf of love and peace."

The grandson listened, then looked up at his grandfather and asked, "Which one will win?"

The grandfather replied, "The one we feed."

***

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Clima, Vida e o velho Darwinismo


Reproduzo aqui um debate travado alguns anos atrás (2005) com um antigo professor de mestrado, que coloca questões fundamentais para a compreensão do papel da vida na Terra e para a regulação climática.

Prezado Professor,

Veja um grafico que tirei do livro Biotic regulation of the environment. e modifiquei um pouco para audiencias nao especializadas (ppt, anexo). Este grafico mostra que, no sentido dos fluxos de carbono regulados pela vida, o mundo eh dos microbios (ponto final.). Mesmo quando se consideram as plantas, vale ressantar e citando a Lynn Margulis, que organismos multicelulares sao hibridos de microbios, ou seja, sao associacoes gigantescas de celulas cuja operacao basica nao difere muito daquela de organismos existentes na terra por bilhoes de anos, antes mesmo do primeiro dinossauro aparecer. Neste sentido, e no sentido de regulacao biotica do planeta, eh praticamente irrelevante a sorte dos grandes animais ou plantas, pois estes, como especies com esta ou aquela cor, este ou aquele mecanismo de reproducao, este ou aquele metabolismo secundario anti-herbivoria, participam de forma apenas acessoria na "regulacao" propriamente dita. Colocado sob esta perspectiva, volte a ler o sumario que enviei na primeira msg sobre a termodinamica da vida. A vida (e nao as especies) se mantem homeostaticamente, mesmo com o meteoro gigante no Yucatan, glaciacoes, george bushes ou o que mais venha. A vida acumula informacoes, jah que as celulas, mesmo as altamente modificadas e evoluidas que compoem nossos musculos (por exemplo), nao "esqueceram" como fermentar (corra o suficiente para elas ficarem sem oxigenio, e elas voltarao ao que fizeram por bilhoes de anos na terra antes de existir oxigenio livre na atmosfera, formando acido latico), as metanogenicas nao esqueceram como produzir metano, a fotossintese foi aprendida uma vez pelas ciano bacterias, e estah hoje disseminada em "todos" organismos verdes fotossintetizantes, nao consta que a vida perdeu ou esqueceu como fazer a fotossintese, mas sim aperfeiçoou. E para o aperfeiçoamento de processos metabolicos eh importantissima a selecao natural. As especies maiores, aquelas que impressionam nossas crianças em um zoologico, e que prendem tanto o pensamento neo-darwinista, tem um papel importante localmente, mas nao competem com a microbiota nos assuntos de regulacao climatica. As bacterias nao morrem, se dividem. Elas nao fazem sexo, mas trocam material genetico de modo frenetico, encontrando nas combinacoes resultantes novas solucoes para desafios ambientais com uma velocidade espantosa, algo que organismos multicelulares maiores, apesar da maior complexidade, sao incapazes de fazer. Elas sao verdadeiras centrais metabolicas, "microprocessadores bioquimicos vivos e adaptantes", com uma plasticidade inacreditavel. Recentemente li uma noticia sobre haverem encontrado um milhao de variedades de bacterias em um unico centimetro cubico de terra. Os microorganismos sao omnipresentes, estao nos ambientes mais extremos da terra, estao em "todos" ambientes, como estiveram ao longo de bilhoes de anos, e tambem chegam a compor 10% do nosso proprio peso! Ja pensaste nisso? Eh principalmente sobre estes seres fantasticos, mestres da manipulacao do ambiente que incorporam os principios termodinamicos que enunciei, que deviamos debater quando falamos de "regulacao" planetaria. Nao se trata de Gaia, ou nao gaia, muito menos trata-se de assumir ou refutar que os organismos "sabem" o que fazem, que tem um proposito. No meu entender, trata-se de tomarmos conhecimento dos fatos cientificos sem dogmatismos de qualquer especie, e deixar entao as evidencias falarem por si mesmas.

Newton estava certo sobre a mecanica classica, nao? No entanto os argumentos dele nao servem para justificar, apoiar ou refutar os fenomenos estudados pela mecanica quantica relativistica da atualidade. Isto porque a mecanica classica eh apenas uma manifestacao macroscopica "simplificada" de outros fenomenos de fundo, no amago da materia e da energia. O proprio Newton desenvolveu ferramental matematico revolucionario para explicar sua intuicao. Os grandes avancos na fisica deveram-se a "revolucoes" nos pensamentos, nas metricas e nos ferramentais. Similarmente, Darwin viu um fenomeno real, nao resta duvida, em relacao a importancia da selecao natural na evolucao de processos, organismos e sistemas naturais. Mas o atavismo dos seguidores neo-darwinistas que ainda persiste (espero que nao te incluas nesta comunidade parada no tempo) dificulta ou impede o desenvolvimento de novas compreensoes. Eh conhecida a influencia freadora de Eistein no desenvolvimento inicial da mecanica quantica (God does not play dice...), ele, o genio que havia introduzido a humanidade nas maravilhas da relativistica... Tambem eh conhecido o enorme atraso sofrido pela geologia quando os geologos classicos negaram a possibilidade dos continentes flutuarem e se deslocarem sobre o manto na Terra. A Lynn Margulis foi ridicularizada pelo pensamento neo-darwinista nos anos 60, quando lançou a hipotese de que organelas de celulas complexas, como os cloroplastos da fotossintese ou as mitocondrias da respiracao, eram na realidade "bacterias especializadas" que colonizaram outras celulas, e uma vez dentro estabeleceram relacoes de colaboracao, de simbiose, nao de exclusao competitiva, algo impensavel no pensamento neo-darwinista convencional. Nos anos 70 descobriu-se plasmidios (DNA) nas mitocondrias, provando o acerto da hipotese da Lynn Margulis. Hoje, os biologos do status quo que nao aceitam a teoria da simbiose estao como os poucos geologos classicos nos anos 80, que com todas as provas da geologia submarina ainda sustentavam nao haver deriva de continentes. Poderia continuar citando outros exemplos, mas o pano de fundo eh a necessidade de honestidade e abertura em relacao a novos conhecimentos, e nao a adocao de um ceticismo poperiano ultrapassado, incapaz de lidar com ou explicar sistemas complexos. Rigor cientifico, para qualquer pessoa disposta a encarar os fatos de forma objetiva, requer abertura a evidencias, e nao o aprisionamento em escolas de pensamento, que, como a propria teoria da evolucao explica, tendem ao imobilismo e a se agarrar de maneira persistente a suas proprias maximas (Thomas Kunn, a natureza das revolucoes cientificas).

No dia que meteorologistas lerem sobre biologia, e biologos fizerem o mesmo sobre meteorologia acho que nosso debate em relacao a regulacao biotica do clima vai progredir com muito maior vigor. Mas para que cheguemos neste estagio me parece fundamental que cada ciencia, em suas respectivas competencias, se desarmem das certezas e das explicacoes definitivas.

Como dizia Shakespeare em sua obra prima Hamlet: "tem mais coisas entre o ceu e a terra do que imagina nossa vaidosa filosofia"...

Abracos,
Antonio

PS.: Se pudesse sugerir leituras que estao na base da minha argumentacao, sugeriria primeiro estes dois livros:

O que eh Vida, Lynn Margulis e Dorion Sagan, Jorge Zahar editora, 316p (custa menos de 30 reais)
Biotic Regulation of the Environment, Gorshkov, Makarieva & Gorshkov, Springer-Praxis, 367p (custa por volta de 120 libras ) (dois destes autores sao fisicos nucleares que passaram 30 anos aprendendo sobre "outras" disciplinas)

Foram escritos para audiencias nao especializadas, e elaboram de maneira brilhante as ligacoes entre disciplinas. E, nao se preocupe Bruce, concordar com os autores nao vai requerer crença religiosa em Gaia. Apenas requer disposicao objetiva a averiguar os fatos, sob a luz da mais rigorosa logica.

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Professor escreveu:

Antonio, ja li a maioria dos livros que voce mencionou e apoio em grande parte com suas hipóteses. Nao discordo contigo sobre a existencia de homeostase mas sim da sua origem. Voce apresenta a vida com se fosse uma coisa consciente que controla sua proprio destino. Assim voce antropogeniza os sistemas naturais. Lovelock fez o mesmo na sua descrição de "gaia" e isto é uma das principais razões que o conceito ainda não é aceito por inteira pela maioria da comunidade cientifica. A maiorias dos organismos nem "buscam" nem "lutam" para manter o equilíbrio. Coexistem em ecossistemas estáveis por consequencia da evolução e da ação implacável da seleção natural. O oxigênio que temos na atmosfera hoje é de origem natural, produto da fotosintese de algas marinhas durante milhoes de anos. Para a maioria dos organismos hoje que dependem da oxigenio para respirar, esta otimo. Porém para a maioria dos organismos que existiram quando a fotsintese evoluiu, o oxigenio era extremamente toxico. Alguns destes organismos originais ainda existem hoje nas raras ambientes anóxicas que sobraram, porem a maioria morreram. Nào era uma questão de buscar ou lutar para manter um equilíbrio, mas sim da sobrevivencia dos organismos mais adaptados às novas condições de equilíbrio criados na presença de oxigenio. Nao creio que as coisas tem mudadas tanto desde 1984, nem desde o Darwin inventou a terioria de evolução. Nào é so uma questão de semantics mas de pricisao e rigor cientifica. Antes de propor o uso sistemas biologicas com modelos para processos climatologicos, temos que ser rigorsamente claro sobre as caracteristicas basicas destes sistemas. Concorda Antonio? Abracos, Professor
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----- Original Message ----- From: "Antonio Donato Nobre"
To: professor
Cc: comunidade de meteorologistas
Sent: Friday, September 02, 2005 3:37 PM
Subject: Re: Fw: Vida nos Modelos Climaticos

Caro Professor,

Voce cita uma prova no teu curso de modelagem no mestrado do INPA em 1984!!

Estamos em 2005 caro professor!

Gostaria de saber tua opiniao sobre os pensamentos nos livros que listei. Minhas afirmacoes sao baseadas no conhecimento sumarizado naqueles livros.


Abracos,
Antonio

P.S: depois gostaria de saber qual sua explicacao para a estabilidade climatica da Terra...

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Professor escreveu:

Antonio e demais colegas, ofereco alguns COMENTARIOS em baixo para ajudar na
evolução desta discussão. Me perdoam os erros de portugues. Um abraço,
Professor

----- Original Message ----- From: "Antonio Donato Nobre"
Subject: Vida nos Modelos Climaticos

Prezados Colegas do Primeiro Workshop de Modelagem Climatica e Ambiental (Manaus),

Gostaria de tomar alguns minutos do vosso tempo para apresentar uma linha de raciocinio que complementa e abre caminhos em relacao aa excelente discussao que tivemos em Manaus. Faltou eu apresentar um slide sobre aspectos termodinamicos ligados a vida com importancia vital na regulacao do clima na Terra:

Reflexoes termodinamicas sobre a vida

1) tudo que eh vivo "acumula informacao", que nao se perde, mas "evolue" e "se aperfeicoa"
NÃO NECESSARAMENTE. A MAIORIA DAS ESPECIES QUE EVOLUIREM DURANTE OS ULTIMOS 2-3 BILHOES DE ANOS É EXTINTA HOJE. PERDEU-SE NO PROCESSO UMA QUANTIDADE ENORME DE INFORMAÇÃO GENETICA. OS GENES (PACOTES DE INFORMAÇÃO) MAIS APTOS CONTINUAM CONSCO HOJE ( NA VISÃO DE DAWKINS) EM ASSOCIAÇÕES OPORTUNISTICAS QUE CHAMAMOS DE ESPÉCIES. NA MEDIDA QUE ALGUNS ESPECES E GENES ACABAM E NOVAS SURGEM A MASSA AGREGADA DE INFORMAÇÃO SE TRANSFORMA ENCOLHINDO OU
EXPANDENDO CONFORME A VARIAÇÃO NAS FORÇAS SELETIVAS. IMAGINAM A ENORME PERDA DE INFORMAÇÃO ORGANICA QUE OCORREU NO FINAL DA CRETACEOUS APOS O IMPACTO DAQUELE METEORO GIGANTE!


2) Organismos manipulam fluxos de materia e energia (informacao, mais do que tudo, determina os balancos entre absorcao, acumulacao e liberacao de substancias no ambiente)
ISTO É UMA QUESTÃO DE OVO E GALINHA. OS ORGANISMOS MANIPULAM OS FLUXOS DE MATERIA E ENERGIA OU SÃO DEPENDENTES E MANIPULADOS POR ELES? NO CURTO PRAZO MANIPULAM. NO PRAZO EVOLCIONARIO, SOBREVIVAM AQUELES CAPAZES DE MANIPULAR A MATERIA E ENERGIA NAS FORMAS EXISTENTES.

3) Processos organicos, organismos e ecossistemas sempre buscam "equilibrio" (tambem aqui, informacao eh usada na construcao de multiplos feedbacks negativos visando a estabilidade)
ISTO TAMBÉM É POLEMICA. (LEMBRA A PROVA FINAL, ANTONIO?) HA DIVERSAS MANEIRAS PARA OS ORGANISMOS INTERAGIREM COM SEU MEIO E ENTRE SES. POREM SOMENTE UMA PEQUENA FRACÇÃO DESTAS RELAÇÕES SÃO ESTÁVEIS A MÉDIO E LONGO PRAZO. A EVOLUCION E NAO OS ORGANISMOS SELECCIONOU AS RELAÇÓES QUE PERSISTIREM E AINDA EXISTEM HOJE.

4) a vida luta continuamente contra "desordem" (bomba anti-entropia
NÃO, A MAIORIA DOS SERES VIVOS É INCONSCIENTE. O DESORDEM TENDA A SER ELIMINADA, A ORDEM SELECTIONADA. A VIDA PARTICIPA E CONTROLA O QUE PODE MAS A SELEÇÃO NATURAL DEFINA A CONJUNTURA.

5) processos vivos sao "auto-regulados", a propriedade mais fundamental da vida, e essencial para se compreender a estabilidade climatica da Terra ao longo de bilhoes de anos!
OS PROCESSOS AUTOREGULADORES TENTEM A SOBREVIVER, SEJAM VIVOS OS ABIOTICOS. SE O HOMEM CONSIGA ENTENDER E REGULAR SEU PAPEL NO GEOSFERA EM TEMPO TAMBEM PODE SOBREVIVER. POREM PARA FAZER ISTO ELE TERA QUE ENFRENTAR O PRIMEIRO E MAIS CRUEL DOS LEIS DE DE NEWTON, A INERCIA (TANTO FÍSICA QUANTO CULTURAL-CIENTÍFICA)

Citando a Lin Margulis, "um fenomeno puramente fisico carece da capacidade de utilizar informacao acumulada em sistemas complexos para definir os cursos posteriores.." ou, em outras palavras:

" um tornado, que eh um sistema dissipativo com uma certa ordem abiotica em si proprio, nao para no meio da planicie, observando uma cadeia de montanhas no horizonte, e exclama: OPPS montanha adiante, mudemos o curso para continuarmos existindo...",

algo que, contudo, a vida faz "todo tempo, o tempo todo"...

Espero que com este pequeno adicional a gente continue aquele saudavel debate, e que os modeladores puramente fisicos continuem receptivos para a necessidade de incluir a termodinamica da vida nos modelos...

Abracos
Antonio Nobre
Escritorio Regional do INPA, INPE Sigma

Alguma literatura util para o tema
Gorshkov et al, Biotic Regulation of the Environment, Springer Praxis, 2000
Margulis & Sagan, O que eh Vida?
Margulis & Sagan, Simbiotic Planet
Margulis & Sagan, Microcosmos

domingo, 14 de junho de 2009

Deitado Eternamente em Berço Esplêndido

Vastas extensões de solos aráveis, naturalmente irrigadas por chuvas plenas em clima ameno fazem da América do Sul, e do Brasil em particular, um ambiente extremamente favorável para a agricultura e a criação de animais. A abundância de água nos rios favorece a produção de energia hidrelétrica. Some-se a essas benesses o mito do Eldorado de riquezas minerais nas rochas e sedimentos e o ouro negro do petróleo encontrado em cada vez maior fartura no subsolo, e teremos um quadro aproximado dos valores ufanistas reconhecidos pela sociedade brasileira contemporânea como qualificadores de um berço esplêndido. Já as magníficas florestas, ícones indissociáveis do Brasil consagrados no verde da bandeira, tendem a não ser reconhecidas como riquezas em si mesmas, capazes de motivar o orgulho nacional sem que se veja nelas alguma destinação utilitária. Se são os peixes dos rios e lagos apreciados, a madeira nas toras de árvores seculares, serrada, e um ou outro recurso adicional da flora e da fauna nativas, empregados, ainda assim o imaginário popular do “berço esplêndido” não reconhece a vida silvestre com valor comparável aos tesouros inanimados que constituem a base ideológica das riquezas da pátria.

As culturas que aqui se desenvolveram antes da invasão europeia tinham uma leitura diferente do significado de riqueza. Por milênios, o registro paleontológico sugere um continente pouco alterado na sua integridade ecológica. Seria esta uma indicação das florestas terem constituído um vasto jardim do Éden para aqueles habitantes ancestrais? A região continha extensivas paisagens antropizadas, principalmente pela domesticação da biodiversidade e manipulação da vegetação. Referindo-se a isso, o etnólogo Eduardo Viveiros de Castro afirma que “a relação dos povos indígenas com o ambiente americano era tecnológica, e não natural... tratava-se de uma relação plenamente antrópica, técnica, não uma relação "edênica”... de pura simbiose ecológica. Devemos falar então em coadaptação entre homem e ambiente neste caso, antes que de uma adaptação unilateral do ambiente aos desígnios do homem”. O modo de vida com baixo impacto ecológico dos habitantes ancestrais do continente sul-americano sugere que estes o viam como manancial de vida e o utilizavam de maneira respeitosa e tecnologicamente sustentável. A ciência atual tende cada vez mais, pelo viés objetivo, a corroborar esta visão. Michael Heckenberger e colaboradores, por exemplo, relatam em artigo na revista Science a descoberta de urbanismo pré-colombiano na Amazônia. Encontraram vestígios de complexas cidades distribuídas no alto rio Xingu, que sustentavam alta densidade populacional em paisagens com estradas, barragens e construções, mas onde a floresta era mantida em toda sua biodiversidade e função.

Por que os segredos nativos sobre a tecnologia da sustentabilidade foram perdidos ao longo da história? E por que a sociedade atual, amante da tecnologia, orienta-se por um sistema de valores cuja percepção antagônica e excludente do ambiente vivo justifica o desenvolvimento somente das riquezas materiais inanimadas? Uma das respostas pode encontrar-se no insuspeito desenvolvimento. Para os povos que aspiram por afluência, desenvolvimento tornou-se sinônimo quase obrigatório de geométrico progresso material. E, de fato, o progresso atingido por várias nações nos últimos dois séculos significou uma acumulação de opulência material jamais vista. A melhoria no conforto, a maior longevidade e o acesso aos novos símbolos de riqueza e da modernidade tornaram-se atraentes indicadores de desenvolvimento. Mas como a acumulação de riquezas e o progresso humano geraram uma ruptura com a Natureza?

O caso do Brasil ilustra um mecanismo padrão de desenvolvimento, no qual é possível encontrar elementos-chave para a compreensão de como as práticas correntes de desrespeito ao ambiente e à vida têm um encadeamento lógico na história. Ao longo dos últimos dois séculos, a antiga aspiração brasileira pelo desenvolvimento transformou-se num modus operandi que se cristalizou no desenvolvimentismo. O desenvolvimentismo como tal resultou da fusão de ideias do positivismo, dos nacionalistas, dos defensores da industrialização e dos intervencionistas pró-crescimento. A força propulsora para esta agregação surgiu da legitimada vontade de passar de vagão a locomotiva no avassalador trem do desenvolvimento lançado pela revolução industrial. Era a oportunidade de sair do primitivo domínio agrícola, com sua economia simples e localizada, e passar para a era industrial de sistemas complexos e economia expansiva. Nas palavras do economista político Pedro Fonseca, “o desenvolvimento já não seria apenas uma palavra de ordem a mais, mas o elo que unifica e dá sentido a toda a ação do governo, ao legitimar a ampliação de sua esfera nos mais diferentes campos.... Torna-se um fim em si mesmo, porquanto advoga para si a prerrogativa de ser condição para aspirações maiores, como bem-estar social, ou valores simbólicos de vulto, como soberania nacional”.

Assim, a decantada marcha para o desenvolvimento transmutou-se em um destino manifesto à brasileira, e na sua esteira surgiu uma grande e moderna nação, que caminha celeremente para o status de potência mundial. Nem por isso estabeleceu-se neste país verde um sistema justo de geração dessas riquezas materiais, já que os benefícios dos visíveis avanços econômicos ainda não percolam para uma maior parte dos brasileiros. Por conta da pressão política e econômica exercida pelas imposições do destino manifesto verde-amarelo, as estratégias de desenvolvimento que estruturam o caminho rumo ao progresso material foram e ainda são implementadas com vigor e sabedorias variáveis. Como a aceleração nas demandas dos mercados reflete-se linearmente na aceleração das estratégias de desenvolvimento, o cuidado com a conservação de ecossistemas, quando existiu, esteve subordinado às conveniências dos mercados. E, infelizmente, no sistema econômico atual, que ainda considera o capital natural como uma externalidade não precificável, quase nunca conservação do ambiente e da vida combina com ganhos econômicos. Isto resulta que para os não-humanos, os incontáveis trilhões de seres que compõem a mítica cornucópia de vida deste país megadiverso, vive-se a fase terminal de um extermínio ignorante, sistemático, insensível e, paradoxalmente, destrutivo das bases do sistema de suporte de vida, portanto comprometedor do próprio desenvolvimento.

A construção dos valores pátrios, a consolidação da economia para o desenvolvimento e o jogar fora a Natureza com a água do banho são todos fenômenos cujo enfrentamento requer compreensão de estruturas culturais complexas e sua evolução no tempo. Se o que se quer é um ajuste construtivo no processo social ou a criação de um pacto mais iluminado para um desenvolvimento sustentável que não fique somente na retórica, enxergar adiante requer um olhar franco para trás. E uma radiografia das raízes culturais recônditas que explicam atitudes e valores atuais precisa começar pelo componente mais sofrido no triângulo do desenvolvimento sustentável, o pouco caso brasileiro com o meio ambiente e a vida. Roberto Gambini propõe que denominemos a chegada no século XVI dos europeus ao novo mundo como o que realmente foi, uma invasão, a que Viveiros de Castro chama de enorme catástrofe, e não um róseo descobrimento. A sistemática subtração na nação brasileira da espiritualizada herança nativa foi a segunda invasão, feita por emissários da igreja na alma dos povos. Com a pulverização da cultura nativa, perderam-se também os conhecimentos tecnológicos evoluídos sobre sustentabilidade em ambiente tropical complexo, principiando assim a destruição do paraíso. A partir da brutal invasão colonial europeia, portanto, os ricos biomas brasileiros passaram por sucessivas ondas de exploração destrutiva. Além de dizimarem os povos nativos com doenças terríveis e tentativas de escravização, os europeus inauguraram uma antiecologia truculenta, que se tornou modelo para o que viria a seguir, com a exploração voraz do primeiro recurso natural
brasileiro levado à extinção, o pau-brasil. O modelo colonial europeu de exploração continuada de qualquer recurso que tivesse valor até seu esgotamento total, sem qualquer preocupação com a sustentabilidade, explica-se superficialmente pela própria natureza da distante colônia de além-mar. O Brasil era uma não-pátria, terra de ninguém, sem lei nem rei, habitada por humanos primitivos que, segundo a igreja da época, nem alma possuíam, repleta de tesouros irresistíveis, obscenamente disponíveis para a pilhagem. Passaram-se os séculos, foram-se os conquistadores mercenários, surgiu um povo miscigenado da terra, tornou-se independente a nação e com ela formou-se também uma pátria. Mas a herança maldita do saque à Natureza transferiu-se dos europeus por hereditariedade cultural, quedou-se alojada no inconsciente coletivo, incrustou-se em memes culturais10 autoreprodutivos, hoje plenamente dissimulados em nossa identidade brasileira. O saque, feito agora sem muitos pudores na própria mãe-pátria, embutiu-se sub-repticiamente como mentalidade de desenvolvimento, vestiu-se de direito e assegurou-se de imunidade nas instituições, associando-se como um carrapato ao mantra do destino manifesto verdeamarelo. O desrespeito cultural ao esplêndido lar pátrio provido pela Natureza é continuamente re-introjetado, tornou-se inato em mentalidades de segmentos chave da sociedade.

A consciência sobre todo o negativo associado à história da invasão europeia pode levar ao despertar de uma crítica libertadora, mas nem por isso seria sábio perder-se em lamentações sobre um passado revoltante pelo qual não podemos responder. Se, por um lado, o reconhecimento dos valores distorcidos é condição necessária para avançar para um futuro sustentável, permitindo reversão de curso através do diagnóstico correto e remoção do carrapato cultural herdado do invasor; por outro lado, para não cair no vazio, é importante recuperar os referenciais saudáveis e verdadeiros de respeito à vida. É possível que as culturas pré-colombianas que aqui habitavam ofereçam em sua memória um rico portfólio de soluções tecnológicas para a sustentabilidade, que, se empregadas, viabilizariam a recuperação de uma coexistência respeitosa do homem com a Natureza. Entretanto, para a civilização atual vir a fazer qualquer aproveitamento eficaz das tecnologias nativas em sua transformação na direção da sustentabilidade, seria necessário enfrentar grandes desafios nas adaptações extensivas e criativas requeridas. Ademais, sem poder contar com a receptividade do sistema cultural prevalente, urge encontrar rotas alternativas de diagnóstico e terapia. Impermeável à crítica externa, resta dissecar o âmago da própria mentalidade invasora, encontrar nela sua lógica e contradições, e trabalhar a partir daí. Quando numa floresta fechada se toma uma trilha errada que leva a um brejo intransponível, a impossibilidade de desvios ou corta-caminhos a partir daquele ponto deixa somente uma saída: retornar pela mesma trilha até a bifurcação do equívoco. Analogamente, é preciso dar marcha a ré nas caravelas, retroceder no tempo e no espaço para contemplar criticamente o pequeno continente Europeu, donde séculos atrás explodiram ondas de barbarismo colonial. Quando a Europa e sua história cultural são colocadas em foco, torna-se evidente que não somente os obscuros valores feudais nos atingiram na invasão, desaguando na interrupção do desenvolvimento cultural autóctone por chumbo, aço, germes e crucifixos. Com a subordinação forçada das colônias ao processo cultural europeu, a interferência foi muito maior e duradoura. Almas, corações e mentes nativas, antes livres, passam a carregar o peso do império nas costas. Assim, o miscigenado povo brasileiro surgiu e cresceu fundamentalmente colonizado, quase sem memória própria, atrelado ao hegemônico continente distante. Para compreender os pontos críticos na evolução do pensamento europeu e suas amplas implicações, podemos adotar a mesma metodologia dos naturalistas europeus do século 19 que chegavam para estudar e descrever o jardim do Éden no novo mundo. Paralelo curioso no plano simbólico, Humboldt às avessas, o nativo americano precisa investigar os valores e estruturas daquele pensamento e cultura que lhe subjugou, o colonizado escarafunchando a mente de seu colonizador.

Com uma história humana intrincada e fascinante, o continente europeu foi o caldeirão multicultural onde se deu o drama central na maturação da ciência e da tecnologia modernas. Como estas estruturas culturais e seus métodos de pensamento que definem percepções correntes da Natureza e de si próprias tornaram-se trilhos condutores na gestação e agregação da civilização global, pode-se dizer que saltaram da Europa para o mundo e tornaram-se temas universais da humanidade. Um bom local, portanto, para buscar raízes e revelar encadeamentos com consequência para a sustentabilidade.

© Copyright Antonio Donato Nobre, 2009, informações com o autor, antonio.nobre@inpe.br